Muito papo e pouca grana
Essa minha terceira fase é rica em detalhes mas bem pobre de grana!!! Rsrs
Saí do ballet e fui direto trabalhar, com 9 anos no mercadinho do meu avô, de caixa!! Imaginem só!!! 9 anos..... somando caderneta de fiado, passando compra e mais uma vez entrei de gaiata, mas acabei sendo boa nisso!!!! Comecei a me dar bem na coisa!!
Era simpática, todos clientes gostavam de mim...
Mas não foi assim uma coisa que eu quis não, vou explicar...
Minha mãe tinha uma “certa” mania de grandeza, então queria construir a casa mais bonita do bairro (e conseguiu), mas meu pai era assalariado, a grana era curta, então ela fez um “acordo” com meu avô: Ela trabalhava no mercadinho e meu avô forneceria a comida, bebida etc do mês pra minha família (eu, minha irmã, meu pai e minha mãe).
Adivinha pra quem sobrou?? Pra mim, é claro.... estudava meio período e o outro meio período ficava no mercadinho.... Mas vocês vão perguntar: e minha mãe! Ah! Ela aparecia no mercadinho de vez enquando!!!! Rsrsrsrs
Como sempre la vinha a galinha de dois corações na minha vida de novo!!!! Rsrsrsrsrs
E assim, lá fui eu, ta certo que comi tanto doce nessa época, que me fartei..... Tinha uma certa abundancia de guloseimas, refrigerantes... mas pagava um preço alto pra minha idade...
Além do trabalho que era de muita responsabilidade, meu avô mantinha um cantinho da pinga!!!! É isso mesmo, tinha os clientes das pingas, bebuns mesmo!!! Ele nunca deixou de vender pinga, tinha até um tonel no quintal... Ele fazia umas alquimias com a pinga e dizia pros bebados que a pinga vinha de longe!! Tudo mentira!rsrs
Eu tinha um caixote de madeira pra poder alcançar no balcão.... E lá ia eu servir, pinga, rabo de galo, cynar, espremidinha (pinga com limão) e outras coisinhas mais!! Rsrsrsrs
Gostava deles, me faziam rir... me tratavam super bem... era divertido até...
Mas meu avô era um português muito rígido e muitas vezes me dava tapas na cara, na frente dos clientes por qualquer coisa que eu fizesse e que ele não gostasse, ficava triste com isso e tambem ficava triste porque não podia ir brincar na rua com meus amigos, mas era engraçado, eles ficavam na calçada, me esperando... acho que eles gostavam de mim de verdade... rsrsrsrs... meu avo mandava eles embora, mas eles voltavem... rsrsrs
Quando podia, brincava na rua, de terra, andava e bicicleta, jogava futebol (era goleira dos meninos), fazia balanço de corda na arvore de frente ao mercadinho, brigava e batia nos moleques, uma vez abri a cabeça de uma menina rsrsrs.... e comia muito chocolate... rsrs
Eu não tinha como escapar do trabalho, minha casa era conjugada com o mercadinho... Eu e minha irmã dormíamos onde seria a cozinha.... engraçado... sinto o cheiro da casa até hoje... lembro da banheira enorme q tinha no banheiro, é claro! Rsrs
Era minha irmã quem cuidava da casa, enfim eu e ela trabalhávamos e minha mãe levava a fama!! Kkkkkkkkk
Lembro dos domingos a tarde, depois que eu comia o rim da galinha, pensando ser o segundo coração... eu ia brincar no mercadinho fechado, sozinha, no meio das sacarias, arroz, feijão, farinha, café, milho.... tenho todas as sensações ate hoje... era meu mundo... amava aquele lugar, onde trabalhava.
Era um lugar que me tirava muitas coisas... deixava de brincar, deixava de estudar direito, mas amava aquele lugar..
E minha irmã , ah! Ela odiava o mercadinho, nem aparecia, ela amava assistir aos domingos a tarde a jovem guarda, Roberto Carlos e sua turma...
Uma vez, ela queria assistir o show de um tal de Herb Albert (acho que era isso!) e minha mãe não deixou... ficou tão frustrada coitadinha... ela chorou igual as meninas de hoje choram pelo Fresno, NXZero, Justin... rsrsrsrs
Fiquei com dó dela nesse dia e acho que nessa ocasião, ela deve ter percebido que a galinha pode ter dois corações... nem que fosse uma vez só...
E assim foi essa fase de muito trabalho, mas muita brincadeira tambem, tudo um aprendizado... considero tudo isso parte do que sou hoje...
Sei que em todas as circunstancias da vida, engolimos “sapos”...
Eu engulo rim de galinha... até hoje...
Olhando por uma perspectiva muito fria, vejo que a vida é mesmo o segundo coração da galinha, o rim na verdade.. e convenhamos, meu rim não vale muita coisa não.
ResponderExcluirmas, olhando com calma, acho que a vida inteira, fiquei com o coração da galinha. tive e tenho uma mãe batalhadora, um pai que na sua ausência me fez homem, uma irmã "complicada" mas que é o jeitinho dela, uma esposa muito parceira, batalhadora, e agora... uma filha... linda, sapeca, engraçada, maravilhosa... pegou um pouco de cada pedaço da minha familia e de minha esposa... para ela, espero conseguir dar o melhor coração de galinha que possa existir.
obrigado mãe, obrigado pai, obrigado Esposa, obrigado filha!